Revista Educação e Linguagens, Vol. 9, No 16 (2020)

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GÊNEROS DISCURSIVOS NA ESCOLA: ACONTECIMENTO EMANCIPATÓRIO DE LEITURA

Luciane de Paula, Jessica de Castro Gonçalves

Resumo


O presente trabalho se propõe a refletir acerca da contribuição dos gêneros discursivos como foco educacional multiletrado. Embora a concepção de gênero, fundamentada nas discussões propostas pelos estudos bakhtinianos, apareça em documentos oficiais como os PCN’s, é necessário pensar sobre como eles têm circulado, são recebidos e produzidos na escola para se pensar acerca da efetiva importância do trabalho com gêneros em sala-de-aula e esta é a relevância deste artigo. A hipótese é a de que, reduzidos, muitas vezes, à forma material, os gêneros, em diversos contextos, são utilizados como pretexto para o ensino da gramática normativa ou de outro conteúdo pontual. Por isso, este artigo apresenta uma reflexão propositiva embrionária de trabalho com os gêneros de maneira dialógica (especialmente voltada às relações interdiscursivas e intertextuais de determinado enunciado), com vistas à formação multiletrada. O objetivo é verificar a pertinência da abordagem interativa para a efetiva formação integral, que compreende a esfera educacional como prática social. Entende-se a aula como acontecimento de um evento único, ato singular. E, para demonstrar concretamente como é possível realizar um trabalho de formação crítica emancipatório, com vistas ao exercício da cidadania, função essencial da escola, parte-se aqui de uma ilustração: um embrião prototípico dialógico, concebido com Dom Casmurro – o romance, a minissérie e uma história em quadrinhos –, tendo como foco a integralidade (conteúdo-forma-estilo) enunciativa situada/contextualizada nas práticas sociais, calcado em alguns processos figurativos (metafóricos e metonímicos). 

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